Brotos de Agroecologia amplia presença nas escolas de Paulínia

Experiências realizadas em diferentes unidades de ensino aproximam estudantes de temas como território, solo, alimentação, energia e sustentabilidade por meio de uma metodologia participativa.
A Feira Brotos de Agroecologia vem ampliando sua presença nas escolas de Paulínia e consolidando uma das principais frentes de educação ambiental do Projeto Sementes de Inclusão. Pensada como uma experiência de aprendizagem itinerante, a iniciativa leva para o ambiente escolar temas relacionados à agroecologia de maneira prática, participativa e conectada à realidade dos estudantes.
A metodologia se distancia da lógica de uma palestra convencional. Em vez de permanecerem apenas como ouvintes, os jovens circulam por estações temáticas, observam materiais, participam de experiências e são convidados a relacionar aquilo que aprendem com o território onde vivem.
Entre os assuntos trabalhados estão agroecologia, soberania alimentar, água, clima, energia, solo, produção de alimentos e cuidado ambiental. A proposta é transformar conceitos que muitas vezes parecem distantes em experiências capazes de despertar curiosidade e gerar novas perguntas.
Uma experiência que começou a ganhar escala
Os primeiros eventos realizados em Paulínia ocorreram na Escola Estadual General Porphyrio da Paz e no SENAI Ricardo Figueiredo Terra. Juntas, as duas atividades alcançaram 190 estudantes no primeiro ciclo de realização da Feira.
Na General Porphyrio da Paz, a atividade realizada em março reuniu 70 estudantes. Dias depois, o SENAI recebeu uma nova edição, com participação de 120 jovens. Nesse segundo encontro, a organização do circuito também possibilitou observar o funcionamento das estações, os tempos de mediação e a circulação dos grupos.
A programação foi posteriormente ampliada para outras unidades de ensino de Paulínia. Entre as escolas que passaram a integrar a sequência de atividades estão o CEMEP Osmar Passarelli Silveira, a E.E. Dr. Francisco de Araújo Mascarenhas e o Núcleo Habitacional José Paulino Nogueira, evidenciando a expansão gradual da proposta educacional.
Essa trajetória também foi registrada em dois vídeos publicados pelo projeto — “Brotos de Agroecologia visita duas escolas em Paulínia” e “Brotos de Agroecologia em mais novas escolas em Paulínia (SP)” — que ajudam a apresentar a experiência para públicos que não acompanharam presencialmente as atividades.

Aprender observando o território
Um dos princípios da Feira Brotos é compreender que a agroecologia não se restringe à produção agrícola. Ela também oferece uma maneira de observar relações entre ambiente, alimentação, tecnologia, cultura e sociedade.
Por isso, as estações trabalham diferentes dimensões de uma mesma realidade. Em uma delas, os estudantes observam o território e suas características ambientais. Em outra, discutem energia e produção. Também existem atividades voltadas à experiência sensorial com a terra e aos caminhos percorridos pelos alimentos antes de chegarem à mesa.
A proposta metodológica inclui, por exemplo, atividades como Olhar de Pássaro, voltada à leitura do território; O Sol é Energia, que introduz questões relacionadas às fontes energéticas; Sentir a Terra, baseada na observação e comparação de características do solo; e Lanche com História, que reconecta os alimentos às pessoas e aos processos envolvidos em sua produção.
Esse formato permite que diferentes temas dialoguem entre si e ajuda os estudantes a perceberem que as escolhas relacionadas à produção e ao consumo de alimentos possuem dimensões ambientais, sociais e econômicas.
Da atividade pontual à continuidade pedagógica
A ampliação da Feira também traz um desafio importante: fazer com que a experiência não termine quando as estações são desmontadas.
Por essa razão, o Projeto Sementes de Inclusão vem avançando na construção de atividades de continuidade com estudantes e professores. A intenção é que os conhecimentos mobilizados durante a Feira possam ser retomados em sala de aula, relacionados aos componentes curriculares e aprofundados em novas experiências educativas.
Mais do que contabilizar a realização de eventos, essa perspectiva busca construir uma relação duradoura entre escola, território e agroecologia, fazendo da educação ambiental uma oportunidade para que os jovens compreendam melhor o lugar onde vivem e reconheçam seu próprio papel nas transformações que acontecem ao redor deles.

O Projeto Sementes de Inclusão é uma realização do Centro de Referência em Cooperativismo e Associativismo (CRCA) em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.



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